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18-10-2011 LIVROS – Sabor a Maboque – A Magia Africana
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A escritora Dulce Tavares Braga, com ligações familiares à freguesia de Cardigos, mais concretamente à aldeia de Chaveirinha, vai lançar o seu livro “Sabor a Maboique – A Magia Africana”, no próximo dia 22 de Outubro na FNAC do Centro Comercial Colombo, Piso 3, Loja A – 103.
A apresentação da obra estará a cargo do professor doutor Viriato Simão.
A autora é natural de Angola mas vive em Campinas, Brasil.
Esta tarde, pelas 15 horas na TVI, será exibida uma reportagem sobra esta escritora em que serão apresentadas imagens da aldeia da Caveirinha eda casa da avó de Dulce Braga.
Este livro conta a história verídica de uma jovem nascida e criada no coração de Angola (a própria escritora). Depois das suas férias escolares no Verão Europeu, dois meses depois da revolução portuguesa dos cravos (25 de Abril de 1974) retorna à ainda colónia angolana. Aí ela vê-se a viver e a temer pelo seu grande e primeiro amor, pelos seus amigos, pela sua confortável situação sócio económica, no epicentro do redemoinho da guerra civil angolana.
Trata-se de um relato verídico, quase um diário, das perdas, das dores, do medo, da angústia, da luta pela sobrevivência, do desespero e de todas as demais mazelas que as guerras invariavelmente injectam em todos os seus participes, activos ou passivos. Um ano depois da sua chegada ao Brasil, país para onde fugiu a menos de dois meses do dia da independência de Angola (11 de Novembro de 1975), ninguém mais notava que era uma estrangeira. A perda do sotaque juntamente com a hibernação de toda a sua infância e adolescência, foi a maneira pragmática que inconscientemente usou para não ser questionada sobre sua origem e não mexer nas feridas que começavam a cicatrizar.
Trinta anos depois o personagem por ela adoptado para viver no novo país, que tão carinhosamente a recebeu, dá sinais de esgotamento e como uma árvore sem raízes reclama por elas, para que possa continuar erecta. Essa reivindicação do seu âmago, juntamente com um velho pedido do marido e dos filhos para que escrevesse sua experiência de vida, desencadearam um processo de resgate das memórias olfactivas, gustativas, sonoras, visuais, emocionais...
Sobre a obra, diz que “foi remexer em cicatrizes, cutucar emoções adormecidas, reviver mágoas, sabores e sonhos, reflorescer amizades, reencontrar-me com um pedaço meu quase conscientemente hibernado por mais de trinta anos e recapturá-lo, sem jamais imaginar que para além desse grande vulcão, outros haveriam de entrar em erupção. A erupção desse enorme vulcão, provoca uma profunda catarse e finalmente ela dialoga em paz com o seu pedaço por tantos anos amortecido.
Videos da escritora em www.chaveira.com
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